Clube da Permuta: estudante, quanto vale o seu tempo?

Clube da Permuta: estudante, quanto vale o seu tempo?

Clube da Permuta: estudante, quanto vale o seu tempo?

Este, talvez seja o primeiro JobCast que eu não tenha me “divertido” para produzir. Pensei muito antes de gravá-lo. E, depois de pensar muito, gravei. Deletei a primeira versão. Não tinha gostado do tipo de mensagem que eu estava passando.

Odeio dedicar o meu tempo para produzir mensagens negativas ou que tenha o objetivo de falar do trabalho alheio. Refleti muito e resolvi gravar uma segunda versão. Deletei também e, certo do que estava fazendo, decido que não falaria sobre o assunto.  Assista o vídeo e, se animar, logo leia o texto complementar. 😉



Agora você deve estar pensando: ”nossa, mas o assunto nem é tão polêmico assim”. De certo que não, mas é a minha imagem em jogo e eu sempre me preocupo com o tipo de mensagem que eu passo nos meus canais de conteúdo.

Gravei uma terceira e uma quarta versão do mesmo tema, editei uma delas, subi pro canal do blog e, um dia antes da conteúdo ser liberado, deletei mais uma vez.

Já estava decidido que não postaria, mesmo.

Passei a quarta-feira conversando com algumas pessoas da minha equipe e, depois disso e de algum incentivo, refleti (acho que vocês perceberam que eu sou uma pessoa que gosta de refletir 🙂 ) novamente sobre os motivos de não gravar.

Gravei, editei, subi pro YouTube e agora estou aqui, redigindo este texto para explicar o porque, em algumas palavras, os motivos e depois de tantas tentativas de não publicar o conteúdo, vou publicar:

Eu respeito a minha profissão. Antes caminhas com as minhas próprias pernas e ser gestor da minha própria agência, eu sempre me preocupei e me questionei onde eu poderia chegar e como aquela profissão, tão ridiculamente glamourosa, me levaria.


BINGO! Depois de refletir muito, encontrei um motivo que me fez publicar o vídeo: alertar os profissionais da área,  estudantes que estão se capacitando, que existe um mercado chamado Clube da Permuta, até então um modelo de negócios viável para alguns negócios, em que algumas agências de comunicação estão aderindo e trocando as suas horas por, digamos; comida.

Isso não é um manifesto de revolta. Muito pelo contrário, da mesma maneira em que eu refleti bastante sobre os benefícios desse conteúdo para a comunidade de comunicadores, o Jobcast 69 vem com o mesmo objetivo: fazer com o profissional de comunicação se questione e reflita sobre o sentido de se trabalhar por permuta.

Reflita sobre isso quando você estiver pensando em fazer uma viagem e ao mesmo tempo estiver apertado de grana. Afinal de contas, quando você é contratado, você vende as suas horas para quem te contrata. No nosso caso, que lidamos com um meio cada vez mais complexo e que exige de nós capacitação DIÁRIA, nossa hora inteligência pode estar sendo trocada por comida que, muitas vezes, e na pior das hipóteses, você nem sente o sabor.

Mas o instagram do seu gestor está lá, sendo atualizado com pratos refinados e com todo aquele saudosismo publicitário local que nós conhecemos. E quando digo nós, é porque eu não sou diferente do estudante que começou ou do profissional de 10 anos de carreira.

Estamos todos no mesmo barco.

Eu vou ficando por aqui, muito obrigado pela sua atenção e até o próximo JobCast, que será mais divertido do que esse, com certeza. Ah, e, claro, sinta-se à vontade para discordar d e tudo que eu disse, ou, dialogarmos sobre o assunto.


Grande abraço e, novamente:
Reflitam.

COMENTÁRIOS

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    Anderson Mattozinhos 2 semanas

    Olá Edson

    Realmente o clube da permuta tem ganhado cada vez mais espaço e não é apenas na publicidade não. Na minha área de conhecimento, vejo muito estudante paparicando e sendo explorado por professores em programas de mestrado e doutorado, em troca de nomes em publicações ou para ser chamado para participar de projetos. Com isso muito estudante vira quase uma espécie de secretário. O problema é que não raro trabalham de graça fazendo trabalhos com muita qualidade apenas para receber endosso. O meio acadêmico tem muito a melhorar. É claro que esse tipo de prática não acontece em 100% dos casos, mas tenho visto cada vez por aí.
    Em troca de “ganhar experiência” alunos fazem o trabalho duro e atuam como experientes, com uma única diferença: os louros e muitas vezes os $$$ vão para outras mãos.

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      Obrigado pelo complemento, Anderson.
      Realmente eu não duvido que seja um mercado que ganhe espaço em várias outras áreas.
      Na área acadêmica pra mim chega a ser ainda mais surpreendente.
      É uma pena, de verdade.