Empreender não é profissão: definia um propósito maior

Empreender não é profissão: definia um propósito maior

Empreender não é profissão: definia um propósito maior

A insegurança e o medo são, sem sombra de dúvidas, os primeiros sentimentos que vão tomar conta de você quando resolver abandonar a tão discriminada carteira de trabalho, e caminhar com as próprias pernas. Vai ser um festival de opiniões alheias sobre o seu “querer ser empreendedor”. Muitos vão te apoiar, muitos, não.

Se você que está lendo esse texto, me perguntar se vale apena realmente ter o próprio negócio, eu não vou te desanimar, pode ter certeza, mas também não vou fazer o papel de super-empreendedor-motivacional, que acha que vai mudar o mundo, apenas por que, em algum momento da vida, resolveu encarar tal circunstância e chutar o balde.

Esse papel romantizado não faz parte da minha pessoa.

Empreender é igual escolher desenho de tatuagem; você não pode fazer apenas porque alguém acha legal, ou porque isso vai fugir a regra e você precisa mostrar para todo mundo que você tem atitude. Você não deve perguntar o que o seu amigo acha do desenho que você vai levar consigo pro resto da vida. Enfim, uns fazem no impulso porque foram motivados. Outros, encontram um objetivo, e outros, um propósito maior

E, é exatamente nesse ponto que eu gostaria de chegar, nos três pilares que me ensinam todos os dias a manter o equilíbrio para cada decisão que preciso tomar, seja na empresa ou na vida pessoal.

Qual o motivo de você querer empreender?

No meu caso, há pouco mais de 3 anos eu fui motivado a sair do meu emprego fixo e abandonar os meus benefícios de direito, que são tão criticados pelos super-empreendedores, ao qual gostava e me identificava muito com a equipe, filosofia e função. Dessa empresa eu não só levei o aprendizado, como fiz grandes amigos.

No início a vida de empreendedor acaba te transformando em uma pessoa mais confiante e, ao mesmo tempo, medrosa. A possibilidade de ser dono do próprio negócio acaba tendo a sua parcela – sem culpa- , pelo menos no início, de glamour. Mas, pelo menos no meu caso, isso durou pouco, felizmente.

Qual o propósito empreender tem na sua vida?

O problema é que não basta ter motivos para empreender. Você precisa ter algo além de um objetivo bem definido como empreendedor, e começar a enxergar a longo prazo. Prever riscos, planejar, se antecipar… E aí, eu reconheço: dei bola fora nessa parte e foquei apena no obsoleto: ter uma empresa reconhecida, crescer com empresário e ganhar dinheiro.

Muita gente veste esse uniforme quando entra na cabine do super-empreendedor-investidor, por exemplo, e acaba deixando de lado os valores pessoais. Foca apenas no obsoleto.

É importante ter um objetivo? Claro, mas se ficar só com eles, pode ser que sua vida de empreendedor não seja tão impressionante o quanto você projeta. Pode ser que você perca a oportunidade de buscar algo, que estou estou buscando e aprendendo, dia após dia, até hoje: propósito como empreendedor.

Empreendedor não é profissão. Você não é empreendedor se você pensa só em você e no crescimento financeiro do negócio. Você não é empreendedor se você não sabe lidar com as pessoas que estão ali do seu lado e não entendem a filosofia da empresa. Você não é empreendedor porque investe em um negócio, você é investidor e está em busca de um objetivo comum. Empreender é algo um pouco maior.

É a sua vida que está em jogo, todos os dias.

Parabéns se você conseguiu ganhar dinheiro com algo que investiu, mas não tem tesão em fazer, nesse caso, você apenas fez a tatuagem que outra pessoa acha legal, para ser mais uma pessoa tatuada e de atitude.

Saibamos separar os dois lados. Nós não podemos viver para trabalhar e nem trabalhar para viver, apenas. Nós só temos uma vida e não sabemos o que vem depois dela.

Hoje eu tenho um propósito, ainda não muito claro na minha cabeça e ainda me tira o sono tentar entendê-lo, mas com certeza não é apenas dinheiro e crescimento financeiro. Esse é o objetivo que vai manter a corporação em pé e respirando. Se você me perguntar se eu me considero empreendedor, eu diria que sou um pseudo-empreendedor em atividade.

É tipo tatuagem, eu não sabia o quanto ia resistir, mas hoje eu quero mais algumas, só que agora vou escolher melhor, pois já sei como é: além de muito pessoal, é viciante e sei que algumas áreas vão ser mais difíceis de suportar a dor, mas eu vou fazer outra.

Até o próximo post e, se você leu até aqui, fique a vontade para discordar de tudo que eu disse; vamos discutir sobre o assunto e somar as ideias? 🙂

COMENTÁRIOS

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    Que artigo fantástico, a maioria dos aspirantes a empreendedor tinha que ler isto, pois, como você disse no artigo empreendedorismo está muito romantizado, sem realismo onde a maioria dos que querem entrar no empreendedorismo vão muitas vezes com uma visão errada do que e ser empreendedor.
    A pouco tempo escrevi um artigo que fala um pouco sobre o que real no empreendedorismo, pois, o empreendedor romantizado tem frustado muita gente.

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      Fico feliz que tenha gostado – e entendido o ponto de vista – do texto, Wesley!
      É uma realidade; hoje em dia, o que mais nós vemos por aí são pessoas pregando falácias sobre o “ser empreendedor”. Eu sempre tive pra mim que empreender, em primeiro lugar, é estado e espírito. Se você não tem um propósito, não tem por que pensar em empreender.